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Hipotireoidismo: sintomas, diagnóstico e tratamento

O hipotireoidismo ocorre quando o organismo produz quantidade insuficiente de hormônios tireoidianos. Com isso, o metabolismo diminui e várias funções biológicas que dependem desses hormônios passam a funcionar de forma menos eficiente. Portanto, o diagnóstico correto e o tratamento adequado do hipotireoidismo fazem diferença para recuperar a saúde e melhorar a qualidade de vida do paciente.

O que é a tireoide e qual a sua função no organismo?

A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço e pesa, em média, 15 a 20 gramas. Ela apresenta dois lobos (direito e esquerdo), unidos pelo istmo (Figura 1). Essa glândula produz principalmente os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tetraiodotironina), que regulam o metabolismo de diversas células do corpo. Além disso, a tireoide também produz calcitonina, hormônio que participa da regulação do cálcio no organismo.

Glândula tireoide | Hipotireoidismo | Dra. Raiane Crespo
Figura 1: Glândula tireoide composta por dois lobos (direito e esquerdo), unidos pelo istmo, localizada abaixo da cartilagem tireoide.

Quais as causas do hipotireoidismo?

A causa mais comum de hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto, doença auto imune em que ocorre produção de auto anticorpos que agridem o tecido tireoidiano e levam a falha na produção da quantidade adequada de hormônios. Além disso, há diversas outras causas de hipotireoidismo, como:

  • cirurgias da tireoide (tireoidectomia total ou parcial)
  • radioiodoterapia para tratamento de hipertireoidismo
  • causas hereditárias
  • uso de determinadas medicações (lítio, amiodarona)
  • doenças da hipófise e do hipotálamo.

Quais os sintomas do hipotireoidismo?

Os sintomas do hipotireoidismo aparecem, em geral, porque o organismo passa a trabalhar em um ritmo mais lento. Ou seja, a redução dos hormônios tireoidianos diminui o metabolismo e desacelera diversos processos do corpo. Assim, falta de energia, cansaço e fadiga costumam ser as queixas mais frequentes.

Além disso, podem surgir alterações na pele, como ressecamento, palidez e cicatrização mais lenta de feridas. Em mulheres, os sintomas às vezes ficam mais evidentes; por exemplo, podem ocorrer alterações menstruais, queda de cabelo, unhas mais fracas, retenção de líquidos e redução da libido.

Quem está sob maior risco de desenvolver hipotireoidismo?

Os fatores de risco para hipotireoidismo são diversos, como:

  • sexo feminino
  • idade acima de 60 anos
  • presença de auto anticorpos da tireoidite de Hashimoto (anti tireoglobulina, anti tireoperoxidase)
  • presença de outras doenças auto imunes (vitiligo, lúpus, etc)
  • histórico de radioterapia cervical
  • pessoas com síndrome de Down
  • pessoas com familiares portadores de doenças da tireoide.

Como diagnostica-lo?

O diagnóstico é feito pela realização de exames laboratoriais, sendo o principal deles o TSH (Hormônio Tireoestimulante). Além disso, também é indicado realizar ultrassom de tireoide e outras avaliações específicas, como deficiências vitamínicas. Paciente com tireoidite de Hashimoto estão sob maior risco de desenvolver nódulos de tireoide, por isso o exame do ultrassom deve ser indicado conforme avaliação médica.

Qual o tratamento do hipotireoidismo?

O tratamento do hipotireoidismo utiliza reposição do hormônio tireoidiano. Atualmente, a conduta padrão inclui levotiroxina, geralmente tomada uma vez ao dia, em jejum, cerca de 40 minutos antes do café da manhã, para otimizar a absorção.

Além disso, o médico precisa monitorar e ajustar a dose de forma regular, com base nos exames e nos sintomas. Afinal, quando o tratamento não mantém a função tireoidiana bem controlada, o hipotireoidismo pode reduzir a qualidade de vida e comprometer diversas funções metabólicas ao longo do tempo.

Há algum alimento que deve ser priorizado em pacientes com hipotireoidismo?

Sabemos que alguns nutrientes são essenciais para o adequado funcionamento da tireoide, como o iodo e o selênio. Por isso, uma dúvida frequente é se devemos priorizar algum tipo de alimento ou suplementar esses micronutrientes. Porém, sabemos que em uma alimentação balanceada e equilibrada, o iodo e o selênio são facilmente ingeridos em quantidades adequadas.

No que se refere ao iodo, sabe-se que a ingesta da população brasileira é adequada principalmente após a padronização da iodação do sal. Já em relação ao selênio, trata-se de um micronutriente abundante na castanha do Pará, carne vermelha, frutos do mar, cerais, etc. Por isso, até o momento, não há recomendação de suplementação desses nutrientes.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um endocrinologista


Referências:
O essencial em endocrinologia / Patrícia Sales, Alfredo Halpern, Cintia Cercato. – 1. ed. – Rio de Janeiro : Roca, 2016.
American Thyroid Association (https://www.liebertpub.com/doi/epdf/10.1089/thy.2014.0028)


FAQ

1. Como saber se a pessoa tem hipotireoidismo?

O diagnóstico do hipotireoidismo é feito pela realização de exames laboratoriais. O principal deles é a dosagem do TSH.

2. O hipotireoidismo é perigoso?

De uma maneira geral, o hipotireoidismo é uma doença de fácil controle e tratamento. Porém, quando não é adequadamente tratado, pode evoluir para quadros graves, podendo levar até ao coma.

3. O que provoca alteração na tireoide?

A causa mais comum de alteração na tireoide é auto imune, uma condição de predisposição genética. Além disso, algumas medicações e infecções também podem interferir no funcionamento da tireoide.

4. O que uma pessoa com hipotireoidismo não pode comer?

Até o momento, a recomendação é que pacientes com hipotireoidismo mantenham uma alimentação equilibrada e diversificada, evitando alimentos ultraprocessados.

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